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Reitor US: Há uma espécie de “boicote das instituições” que incentivam os alunos a saírem fora do país para formação superior

O reitor da Universidade de Santiago (US) disse que existe uma espécie de “boicote institucional” em Cabo Verde em que os alunos são incentivados a saírem para formação superior, mesmo sabendo da existência de instituições de qualidade.

Gabriel Fernandes, que se encontra na ilha do Fogo à frente de uma delegação para articulação a realização da 9ª edição do programa “Rotas do Arquipélago”, afirmou que em Cabo Verde “põe-se pouca tónica na mobilização endógena de recursos para o reforço de ensino superior”, indicando que “tradicionalmente as instituições recrutam os jovens para se formar fora”.

 

Segundo o mesmo, “paradoxalmente exige-se que as instituições de ensino superior reúnam todas as condições para garantir o ensino de qualidade, mas ao mesmo tempo há uma espécie de boicote institucional, em cujo âmbito os alunos são incentivados a sair”, observando que há instituições de fora que não se preocupam na mobilização de candidatos, porque elas tem quem o faça por elas, porque tem instituições que canalizam estudantes para fora”.

 

“É fundamental que as instituições e todos juntos tenhamos a coragem, a desenvoltura e, sobretudo, determinação estratégica para mobilizar os nossos recursos para dar consistência ao projecto formativo aqui em Cabo Verde, porque não podemos continuar a criar condições e a lutar para que elas garantam formação de qualidade e ao mesmo tempo canalizar os recursos potenciais para outros espaços”, disse o reitor da Universidade de Santiago.

 

Questionado se a visita e a realização do programa “Rotas do Arquipélago” não constitui uma ofensiva para recrutar estudantes, Gabriel Fernandes afirma que é fundamental que haja uma espécie de empatia entre as instituições de ensino superior e as comunidades, porque não se põe tónica na mobilização endógena de recursos para o reforço de ensino superior.

 

Sobre a possibilidade da US vir abrir um pólo na ilha do Fogo, Gabriel Fernandes disse que não está no horizonte da sua universidade abrir pólos, adiantando que prevê acções de reforço da sua presença, através da criação de condições para que os jovens e profissionais possam aceder a formação profissional à distância.

 

A US ministra desde o ano passado o curso de complemento de licenciatura em enfermagem com duração de dois anos, em que participam perto de três dezenas de profissionais das duas ilhas, sendo que a formação tem sessões presenciais com docentes de Portugal, Santiago e da ilha do Fogo.

 

SAPO c/Inforpress

10.04.2018

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