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Animais desenvolvem adaptação à radiação em Chernobyl, indica estudo

Publicado dia 27 de Maio de 2014 Voltar à página de Curiosidades

O «clique» emitido pelo detector de radiação de Timothy Mousseau intensificava-se lentamente à medida que avançava pela floresta, alguns quilómetros a oeste da central nuclear de Chernobyl.

Quando parou para examinar uma teia de aranha num galho de uma árvore, o ecrã do aparelho mostrava 25 microsieverts.

Segundo Mousseau, isso é habitual nesta área perto de uma das centenas de aldeias que foram abandonadas depois da fuga radioactiva resultante da explosão do reactor em 1986.
Mousseau, biólogo da Universidade da Carolina do Sul, visita desde 1999 a área contaminada próxima à central, hoje desactivada.

A lista de espécies que o investigador estuda é longa: felosas, toutinegras e andorinhas; insectos, incluindo abelhas e borboletas; aranhas e morcegos; pequenos roedores.

Ao longo dos anos, Mousseau e os seus colegas têm divulgado indícios do impacto da radiação desde a explosão: maior incidência de tumores e anomalias físicas, como bicos deformados, por exemplo, e um declínio nas populações de insectos e aranhas com o aumento da radiação.

Mas as suas descobertas mais recentes mostraram algo novo. Algumas espécies de pássaros, segundo a revista Functional Ecology, parecem ter-se adaptado ao ambiente radioactivo com a produção de níveis mais elevados de antioxidantes protectores, com redução dos danos genéticos.

Para esses pássaros, disse Mousseau, a exposição crónica à radiação parece ser uma forma de «selecção antinatural» conduzindo a uma mudança evolutiva.

A radiação ionizante, como a produzida pelo césio, o estrôncio e outros isótopos radioactivos, afecta tecidos vivos de várias formas, entre elas a quebra de cadeias de ADN.

Uma dose suficientemente elevada pode causar doenças ou mortes.
Foi o que aconteceu com vários técnicos e bombeiros na central de Chern

obyl quando o reactor da Unidade 4 explodiu. Eles foram expostos a doses letais e morreram semanas após o acidente.

Doses relativamente baixas de radiação, no entanto, mesmo por um longo período, podem ter pouco ou nenhum efeito.

Mas doses menores podem provocar mutações genéticas, causando cancros e outros problemas físicos que eventualmente aparecem depois de períodos mais longos, afectando a reprodução e a longevidade.

Estudar os efeitos sobre animais e insectos também podem levar a um melhor entendimento do impacto em pessoas. Alguns investigadores constataram os estudos, argumentando que é difícil demonstrar que os níveis de radiação na zona de exclusão. De cerca de 2.600 km quadrados, tiveram um efeito evidente.

Sapo TL com Diário Digital

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